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Os tipos de leitor que todo livro encontra pelo caminho

  • Samira Mór 
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Que há vários tipos de livros para todo leitor a gente sabe. Mas já pensou que há também tipos de leitor para cada livro? Vamos pensar sobre isso então e você pode descobrir em qual (ou quais) se reconhece.

Na verdade, ler, além de ser um prazer, é também uma necessidade. Ou é uma atividade com fins variados. E talvez os tipos de leitor tenham muito a ver com isso. Mas, primeiro, vejamos quais são esses tipos de leitor de que estou falando.

O leitor das sublinhas

É aquele leitor que não deixa o livro fluir em paz. Lê com um lápis ou um marca-texto (que é mais terrível ainda) à mão para destacar as partes que ama ou que julga muito importantes.

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Tem aqueles que o fazem por necessidade, é claro. Por exemplo, o livro é um objeto de estudo e, por isso, é necessário marcar as partes importantes para um trabalho posterior, uma apresentação ou uma aula. Levemente perdoável.

Outros ainda marcam o livro, muitas vezes com linhas coloridas e post-its, só porque acharam o trecho bonito, pela poesia do texto. Não sei se se justifica, mas pode ser compreensível. A gente marca para poder voltar depois e ler de novo. Mas, muitas vezes, fica marcado e também esquecido.

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O fato é que, depois de um leitor da sublinhas, o livro nunca mais é o mesmo.

O leitor das margens

É aquele que também modifica o livro para sempre e que, às vezes, nem o termina. Também lê com um lápis na mão e anota nas margens suas ideias e considerações sobre o que está lendo.

Gosta de referências também. Por isso, passa um bom tempo dedicado aos prefácios, às notas de rodapé e às orelhas dos livros. Quer saber tudo sobre a história, o lugar onde se passa, quem é o autor.

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Às vezes, passa mais tempo com o contexto do que com o texto em si.

O leitor das pesquisas

Tem bastante afinidade com os tipos de leitor anteriores. Também gosta de referências e de registrar informações relevantes sobre os livros que lê.

É o leitor que para a leitura porque quer saber sobre detalhes do texto, sobre o lugar onde a história ocorre, sobre o significado de palavras estranhas ao seu vocabulário. Não consegue fazer uma leitura corrente, precisa esclarecer as questões que surgem no correr das páginas.

Esse leitor lê para entender o mundo melhor e sempre vai bem além do livro. Mas é também aquele que demora mais com a leitura e pode, inclusive, passar mais de ano lendo uma determinada obra porque precisa de tempo para assimilar tudo.

Moça lendo um livro debaixo de uma lâmpada e rodeada por outros.

O leitor devorador

Esse lê compulsivamente. Contrariamente ao anterior, é capaz de devorar um livro em dias ou até mesmo em horas. Termina um e já começa outro. E, muitas vezes, também lê vários livros ao mesmo tempo.

É curioso, impulsivo e tem pressa. Um livro não é capaz de satisfazê-lo. Precisa sempre de uma nova história, de um novo estímulo para suas reflexões.

As sagas são suas leituras preferidas porque, ao terminar uma história, sabe que ela, na verdade, não acabou. E, assim, já tem um novo livro para devorar.

O leitor que abandona

É o leitor que não tem pena de largar o livro de lado se achar que não vale o seu tempo ou o seu esforço. Fecha o bendito sem pena alguma e parte para outro. Ou para outra atividade que julgue mais aprazível ou válida.

Pessoa mais objetiva e sem tempo a perder, vê o livro como um instrumento de saber e prazer que precisa atender a esses dois requisitos. Caso contrário, melhor deixar de lado bem rápido.

Para esse leitor, desistir também é uma forma de leitura. Afinal, saber decidir se um livro conversa com a gente e diz o que precisamos ler é também um jeito de ler, não é mesmo?

O leitor de cabeceira

Esse é aquele que tem um livro, ou dois (ou talvez até três, mas não mais que isso porque esse tipo de livro é raro) que moram na cabeceira de sua cama. Ou pode ser também que fique na mesinha ao lado da cama, ou na escrivaninha, ou na mesa de trabalho.

O lugar exatamente não importa muito, mas é sempre próximo e acolhedor. A leitura, nesse caso, tem o objetivo de ser feita aos poucos, quase sempre à noite e o livro torna-se uma companhia e até mesmo uma forma de embalo para o sono.

Tem livros “de cabeceira” que se tornam companheiros para toda uma vida e estão sempre presentes no dia a dia desse leitor (ou em suas noites) e também em suas conversas e reflexões.

Livro aberto sobre uma cama.

O leitor que relê

Aqui temos o leitor que lê novamente o mesmo livro, às vezes em fases diferentes da vida (e por motivos diferentes), às vezes logo depois que termina.

No primeiro caso, descobre novos sentidos naquilo já leu exatamente porque já não é a mesma pessoa de antes, teve outras experiências, outras leituras e pode perceber nuances e interpretações não vistas anteriormente.

Também é possível que trechos do livro sejam muito marcantes e esse leitor precise voltar a eles pelo puro prazer de relê-los e, assim, poder reviver a emoção de antes. É o que acontece no segundo caso, o leitor não quer largar as personagens, não quer largar aquela escrita, aquelas palavras e, por isso, torna-se um releitor.

O leitor silencioso

Aquele que lê só para si. Não comenta, não publica, não manifesta opiniões. Vivencia o prazer do texto solitariamente e a leitura acontece só dentro dele mesmo.

Esse tipo de leitor é alguém muito reflexivo e contido. Gosta de guardar o que lê e de construir considerações muito próprias. Pode ser também que apreenda o texto e deixe-o fluir sem pretensões e sem parar muito para pensar sobre ele.

O leitor em formação

Aqui temos o leitor que se aventura por livros e leituras desafiadores. Ou porque é novo na arte de ler ou porque o texto lido não é ainda um tipo de leitura costumeira para ele.

Mas, mesmo encontrando dificuldades, lendo com esforço e devagar, precisando parar para buscar referências, para reler trechos não entendidos, ou para refletir sobre o que está lendo, não desiste. Persiste até vencer o texto.

Conclusão

E então, meu caro leitor ou leitora, que tipo de leitor você é? Imagino que seja como eu, um pouquinho de cada um deles ou quase todos eles.

Como disse no início desse artigo, a leitura é prazer e necessidade. Assim, nosso comportamento diante do texto depende muito do objetivo que temos e do nosso estado de espírito também.

Se o objetivo é estudar o livro, seremos o leitor sublinhador, o leitor pesquisador, o leitor comentador. Se queremos o prazer da leitura, podemos ser o leitor voraz, ou o releitor, ou o silencioso.

E creio que sempre seremos o leitor em formação porque nunca paramos de aprender a ser um leitor. Nunca paramos de aprender a ler, é um exercício constante e que levamos para toda a vida.

E que bom que é assim, não é mesmo? Desejo a você boas leituras, independente do tipo de leitor que seja. Um abraço e até o próximo.

P.S.: O escritor gaúcho Mário Quintana escreveu uma crônica divertidíssima sobre os tipos de leitor, na qual abordou o tema por uma outra perspectiva. Caso você não a conheça ou queira relê-la, acesse esse outro artigo.

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